A pandemia intensificou a preocupação com o luto por um colega de trabalho nas organizações brasileiras. Durante esse período, muitos perderam parentes ou colegas para a doença, criando uma nova realidade nas empresas. No projeto Transformar da Promon Engenharia, por exemplo, 40% do efetivo total participou de encontros focados em luto.
O luto afeta a pessoa em suas capacidades cognitiva, psicológica e física. No entanto, a licença-nojo ou licença-óbito concede apenas dois dias consecutivos de ausência legal ao trabalhador, período claramente insuficiente quando consideramos que lidar com o luto é um processo que demanda tempo.
Além disso, o luto pode afetar gravemente a saúde física e mental dos colaboradores, impactando na produtividade e no clima organizacional. Por isso, grandes empresas como Magazine Luiza, Vale e Petrobras já implementam atividades de suporte aos colaboradores no período de luto, fortalecendo a cultura organizacional e promovendo um ambiente de trabalho mais humano.
Neste guia prático, vamos apresentar estratégias eficazes para o RH lidar com o luto no ambiente de trabalho, desde o acolhimento empático até a preparação adequada das lideranças, considerando que o luto é uma experiência universal que precisa ser tratada com respeito e sensibilidade.
Entendendo o impacto do luto no ambiente de trabalho
O luto causado pela perda de um colega de trabalho impacta profundamente todo o ambiente organizacional. Quando alguém parte, não é apenas uma cadeira vazia, mas uma ausência que modifica toda a dinâmica do grupo, afetando tanto o dia a dia quanto a saúde mental dos colaboradores.
Como o luto afeta o desempenho e a saúde mental
O processo de luto influencia diretamente a capacidade produtiva e o bem-estar emocional. Estudos mostram que 91% dos funcionários enlutados relatam queda significativa na produtividade. Além disso, o luto não resolvido custa às organizações aproximadamente US$ 75 bilhões anualmente.
Durante o luto, a pessoa pode apresentar:
Redução na capacidade de concentração e memória de curto prazo
Dificuldade para regular emoções e tomar decisões
Sensação de desvalorização da vida e incapacidade
Irritabilidade, desânimo e falta de foco
A dor não reconhecida manifesta-se em erros de concentração, isolamento social ou faltas frequentes. Contudo, apenas 11% dos gestores conseguem identificar corretamente problemas de desempenho relacionados ao luto.
Diferenças entre luto pessoal e luto por colega de trabalho
O luto por um colega de trabalho possui características particulares. Enquanto no luto pessoal geralmente há redes de apoio mais consolidadas, no ambiente profissional esse suporte costuma ser limitado ou inexistente.
No contexto laboral, o processo envolve também aspectos práticos como redistribuição de tarefas e ajuste na dinâmica da equipe. O tipo de vínculo com o falecido e a natureza da morte influenciam diretamente as manifestações do luto.
Por que o luto ainda é um tabu nas empresas
O ambiente corporativo historicamente foi constituído como um espaço de poder, controle e racionalidade, enquanto o luto traz justamente o oposto: vulnerabilidade e emoção. A máxima “deixe seus problemas pessoais fora da empresa” ainda prevalece em muitas organizações.
Este silêncio, entretanto, gera consequências graves. A cada ano, aproximadamente um em cada nove profissionais enfrenta a perda de alguém próximo, e metade deles deixa o emprego em até doze meses por não encontrar apoio adequado.
Falar sobre luto nas empresas não significa abrir espaço para tristeza sem fim, mas sim reconhecer a humanidade das pessoas que compõem a organização, permitindo que atravessem esse processo sem precisarem fazê-lo sozinhas.
Como o RH pode acolher de forma empática
O acolhimento durante o processo de luto humaniza as relações de trabalho e fortalece vínculos entre colaboradores e empresa. O departamento de Recursos Humanos desempenha papel fundamental na criação de estratégias que tornem a organização um espaço seguro para lidar com a perda de um colega de trabalho.
Criar um ambiente seguro para expressar emoções
A segurança psicológica no ambiente de trabalho permite que os colaboradores se sintam à vontade para expressar opiniões e emoções sem medo de represálias ou julgamentos. Para isso, o RH deve garantir que todos tenham liberdade para expressar seus sentimentos através de conversas individuais, grupos focais e canais anônimos de feedback.
Estudos mostram que empresas que priorizam o bem-estar psicológico dos colaboradores colhem benefícios significativos, como aumento de produtividade, redução do absenteísmo e maior engajamento da equipe. Portanto, mais do que ações pontuais, é necessário desenvolver uma cultura que coloque as pessoas no centro da estratégia.
Oferecer escuta ativa e apoio psicológico
A escuta ativa é uma técnica valiosa em que todo colaborador contribui para que o trabalho flua melhor, seja mais eficiente e criativo. Quando praticada pelo RH, ela ajuda na solução de conflitos internos e melhora o relacionamento entre as partes.
Algumas recomendações para praticar a escuta ativa:
Dedique tempo e atenção total à pessoa enlutada, largando tudo para ouvi-la
Observe a linguagem corporal e sinais não-verbais
Evite interromper ou julgar o que está sendo dito
Faça perguntas abertas para aprofundar o diálogo
Além disso, oferecer serviços de apoio psicológico faz toda a diferença. Disponibilizar acompanhamento com psicólogos, presencial ou online, permite que os colaboradores cuidem da saúde mental de forma segura, acessível e profissional.
Evitar frases prontas e respeitar o silêncio
Durante o luto, certas frases, mesmo bem-intencionadas, podem soar insensíveis. Evite dizer: “É importante que você seja forte”, “Você tem que superar isso”, “Você tem que ter calma”. Essas expressões geram carga emocional e invalidam a dor da pessoa enlutada.
Em vez disso, pergunte diretamente o que a pessoa precisa ou ofereça ajuda específica. Escute sem tentar encontrar soluções imediatas ou minimizar a dor. O silêncio também pode ser terapêutico, e forçar um clima de alto-astral ou evitar tocar no assunto não ajuda.
Acima de tudo, o RH deve lembrar que o luto não é um processo linear e rápido, afetando as pessoas de formas diferentes. O objetivo não é eliminar a dor, mas criar um ambiente que reconheça a humanidade dos colaboradores.
Boas práticas para apoiar o colaborador enlutado
Para uma empresa verdadeiramente acolhedora, não basta apenas entender o luto por um colega de trabalho – são necessárias ações concretas. Implementar práticas estruturadas de apoio demonstra respeito e cria um ambiente onde todos se sentem valorizados durante momentos difíceis.
Flexibilizar horários e carga de trabalho
A flexibilidade durante o período de luto é essencial. Oferecer horários ajustáveis permite que o colaborador processe sua perda com menor pressão, facilitando seu retorno gradual às atividades. Essa adaptação temporária não é apenas um gesto de empatia, mas também uma estratégia que favorece a reorganização da rotina pessoal e profissional do enlutado.
Ajustar prazos e metas temporariamente
No retorno ao trabalho, é fundamental que as lideranças ajustem temporariamente a carga de tarefas e redistribuam responsabilidades. Esse cuidado reduz o estresse adicional e permite uma adaptação gradual, respeitando o ritmo individual do processo de luto. A redefinição de prazos demonstra que a empresa valoriza o bem-estar emocional tanto quanto os resultados.
Oferecer acompanhamento com psicólogos
A assistência psicológica especializada é um recurso valioso durante o luto. Empresas podem:
Disponibilizar sessões gratuitas com psicólogos, ao menos mensalmente
Criar programas de assistência ao empregado focados em saúde mental
Oferecer até dez sessões para colaboradores que perderam familiares
Permitir o trabalho remoto, se necessário
O home office surge como opção valiosa para o colaborador enlutado, permitindo que se adapte à nova rotina com mais privacidade. Essa modalidade oferece liberdade para processar emoções sem desconexão total do ambiente profissional, auxiliando na transição gradual de volta ao trabalho presencial.
Incluir colegas no processo de acolhimento
A empresa deve orientar as equipes sobre como receber adequadamente o colega enlutado. Fomentar uma rede de apoio interna com grupos e um ambiente seguro para expressão de sentimentos fortalece os laços entre os colaboradores. Este acolhimento coletivo cria uma cultura onde todos se sentem responsáveis pelo bem-estar do grupo.
Preparando a liderança e a equipe para lidar com o luto
Preparar a organização para lidar com o luto por um colega de trabalho requer uma abordagem estruturada que comece antes mesmo da ocorrência da perda. Equipes que possuem treinamento prévio conseguem reagir de forma mais adequada quando o momento chega.
Treinar gestores para situações delicadas
A empresa deve capacitar lideranças para identificar sinais de sofrimento e oferecer suporte apropriado. O gestor precisa compreender tanto a parte do “fazer” (providências práticas) quanto a do “ser” (reconhecimento das emoções). Além disso, aproximadamente 44,4% dos profissionais apontam percepção indiferente ou negativa das ações empresariais durante eventos de luto.
Evitar exclusão ou superproteção do enlutado
Nunca se deve excluir um profissional enlutado de projetos para “poupá-lo”. Igualmente, é essencial não assumir que ele não terá condições de trabalhar ou tomar decisões. O ideal é abrir espaço para conversa e deixar que o colaborador decida o que prefere fazer.
Promover rodas de conversa e cultura de apoio
Rodas de conversa aparecem em 76% das avaliações positivas sobre gestão do luto. Estes encontros ajudam a criar uma narrativa coletiva que organiza emoções e fortalece o grupo. Algumas empresas implementam grupos mediados por psicólogos onde os colaboradores podem compartilhar experiências e construir redes internas de suporte.
Como comunicar a perda à equipe com respeito
A comunicação deve ser clara e respeitosa, evitando especulações. Prefira informar presencialmente ou por videochamada, garantindo que todos estejam em lugar calmo. Para empresas maiores, uma nota oficial com tom pessoal, relembrando a trajetória do colaborador, é apropriada.
Conclusão
Lidar com o luto por um colega de trabalho representa um desafio significativo para as organizações brasileiras. Este processo demanda sensibilidade e preparação adequada de todos os envolvidos. A perda afeta profundamente não apenas a saúde mental individual, mas também a dinâmica coletiva e a produtividade da equipe.
Portanto, cabe às empresas desenvolverem estratégias eficazes de acolhimento, desde a escuta ativa até o suporte psicológico profissional. Flexibilização de horários, ajuste temporário de metas e trabalho remoto surgem como alternativas valiosas durante este período delicado. Além disso, a preparação das lideranças constitui fator essencial para garantir que o processo seja conduzido com respeito e empatia.
Ainda que o tema permaneça tabu em muitas organizações, empresas que abraçam a humanização das relações de trabalho colhem benefícios significativos. O reconhecimento da dor e a criação de espaços seguros para expressão de sentimentos fortalecem vínculos e demonstram que a organização valoriza seus colaboradores como pessoas completas.
Finalmente, transformar a cultura organizacional para lidar adequadamente com o luto não significa apenas implementar políticas pontuais, mas construir um ambiente onde todos se sintam responsáveis pelo bem-estar coletivo. Assim, as empresas conseguirão atravessar momentos difíceis preservando tanto a saúde emocional dos colaboradores quanto a integridade da organização como um todo.
PERGUNTAS FREQUENTES (FAQ)
1. Balões são permitidos em funerais?
Sim, balões biodegradáveis são aceitos em muitos cemitérios. Verifique as regras do local.
2. Flores naturais ou artificiais para funeral?
Flores naturais são tradicionais e biodegradáveis. Considere plantar árvore como alternativa sustentável.
3. Quais flores são mais sustentáveis para funerais?
Prefira flores locais e da estação. Lírios, crisântemos e rosas locais são opções tradicionais.
4. Existem alternativas sustentáveis para homenagens?
Sim! Plante uma árvore, doe para uma causa, crie memorial online ou escolha cremação com urna biodegradável.
5. Quanto custa uma homenagem fúnebre sustentável?
Flores naturais (R$ 100-500), balões biodegradáveis (R$ 50-200), plantar árvore (R$ 30-100).


